0910 motorola droid Motorola Milestone (Droid)

A maior ameaça à hegemonia do iPhone a já pisar na terra, o Motorola Milestone foi lançado no fim de 2009 nos EUA com o nome de Droid, e logo em seguida mundialmente como Milestone, incluindo no Brasil por intermédio da Vivo. Seis meses depois, esse smartphone rodando Android já não é o mais avançado googlephone do mercado, posição ocupada hoje pelo Nexus One, e não acabou com o reinado do celular da Apple, mas foi um dos responsáveis pelo atual boom da plataforma Android e continua o queridinho de muita gente (eu, eu!). Vamos ver porque, e o que ele tem a oferecer no departamento de ebooks.

Conforto

Aqui faz-se frente ao iPhone com propriedade: os dois tem praticamente o mesmo tamanho, mas o Milestone tem uma tela melhor e um teclado QWERTY físico, daqueles que saem com sliding, tudo isso sem comprometer a espessura. Esse tamanho, como os seguidores de Jobs bem sabem, é muito confortável e encaixa-se bem na mão (na maioria delas, ao menos). Assim, o smartphone é um ebook reader fácil de segurar em modo retrato e em paisagem, além de obviamente portátil e prático por já estar sempre com você (a famosa convergência), muito embora ele seja pesado e possa cansar a mão de moças na leitura quando comparado ao iPhone. Ainda assim quase metade do peso de um Kindle, por exemplo (e quatro vezes menos o de um iPad).

O teclado slider não só ajuda em anotações e buscas, como também oferece uma opção muito interessante àqueles que estão sempre trocando seu livro ou ereader de mão e de posição pra não cansar (especialmente quando deitado!), pois com o teclado aberto o Milestone fica não só mais fino–da espessura ideal de um Sony PRS-505, eu diria–como tem mais área para segurar, apoiar. Isso é conforto: ter mais opções; melhor várias formas de segurar e passar a página do que uma só, que os fabricantes consideram perfeita mas que não serve pra você ou cansa depois de um tempo (na cama, então..) Aliás, pra passar de página nos vários apps disponíveis no aparelho você pode clicar no canto da tela; passar o dedo à la Apple com direito a animação e tudo; ou, meu preferido, apertar os botões de volume muito bem posicionados na lateral direita do aparelho: segurando com a mão esquerda o indicador naturalmente descansa lá, e com a mão direita o polegar.

Ainda falando de teclados, o teclado virtual em modo retrato tem as teclas muito estreitas, acarretando desconforto e erros frequentes, um ponto fraco mesmo que não faltem opções alternativas e melhores por meio de apps de terceiros, que integram-se completamente ao sistema. Também o sistema de acentuação clama por uma solução provinda do Android Market, já que deixa muito a desejar–é melhor que no deficiente iPad, mas para fazer um á, por exemplo, deve-se apertar a tecla A por demasiado tempo e o popup (para escolha entre á, à, ã, etc) aparece onde bem entende, tornando o processo lerdo–gostava mesmo da agilidade do tecladinho Blackberriano no meu Palm Treo 650. Acentos à parte, o teclado virtual em modo paisagem (deitado) é fantástico, e embora pareça uma opção redundante ao teclado físico vejo-me frequentemente usando-o por preguiça de abrir o teclado slider, que não tem um sistema automático por mola. A existência de um teclado físico e um virtual é muito bem administrada pelo sistema android: puxar o teclado slider automaticamente inibe o virtual de aparecer e muda para modo paisagem, a não ser que a app de ebooks inteligentemente trave a mudança, possibilitando, como já aludido, segurar o Milestone aberto lendo em modo retrato, uma boa combinação. Abaixo, uma palhinha do aparelho, cortesia do review da Gizmodo Brasil.

 

Os chamados soft buttons, ícones inscritos na tela de toque que tocados provocam um feedback de vibração, agregam interessantes praticidades, como o botão voltar que fecha quaisquer teclados virtuais e parece sempre saber pra onde queremos ir, o botão de busca pra achar frases dentro do livro e o botão menu que faz o óbvio. O último é o home, o único também presente no iPhone. A desvantagem desses botões é que eles são ultra-sensíveis ao toque, e acaba-se esbarrando neles de vez e quando. Sensível é também a tela de toque como um todo, oferecendo uma resposta muito boa, quase impecável como nas touch-screens da Apple. E em se tratando de tela, o LCD obviamente cansa a vista após um tempo, defeito de qualquer gadget que não os ereaders com e-ink. Por outro lado a tela iluminada associada ao tamanho portátil fazem do Milestone uma excelente opção de leitura noturna, especialmente quando baixar o brilho da tela e usar o modo noturno (texto branco em fundo preto) são operações tornadas fáceis na maioria dos programas de leitura. Ou melhor ainda, ser ninado por uma daquelas adoráveis vozes sintéticas com o sistema texto-pra-voz nativo. Na verdade não encontrei boa app de ebooks que aproveitasse esse recurso do Android, mas isso é problema do Android Market que discutiremos três seções abaixo.

Visual

A tela aqui é excepcional. Tem 3.7 polegadas, mas isso é o de menos: arrasa mesmo na resolução, 854×480. O que isso confere é uma quantidade enorme de texto na tela com uma nitidez impecável. E ela tem aquela fluidez gostosa, comparável à do iPhone (que em números tem 3.5″ com 480×320), embora não seja a mesma coisa. Fica Milestone 1×1 iPhone, mas a Apple desempata no design da interface: a maioria dos programas no Android, ebook readers inclusos, não segue um padrão estético alto, um efeito colateral da liberdade dada aos desenvolvedores de software na plataforma da Google. O design do Milestone é único e retrô, estilo retangular. Eu, particularmente, gosto muito, mas não é universal nem da moda, tem gente que torce o nariz.

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Engenharia

O aparelho tem um ar de solidez, esbanjando qualidade de fabricação–a Motorola botou seus melhores chineses pra fazer o Milestone. O peso avantajado contribui pra essa sensação (gadget muito levinho nego desconfia logo). E tudo isso por um valor muito bom, considerando toda a tecnologia de ponta e o preço dos concorrentes. A Vivo eleva a coisa para o patamar irrecusável (não?), oferendo-o por R$599 com aquisição de um salgado plano de voz e dados. Ah, vá lá.. vem com uma dock multimídia!

O Android 2.1 roda leve no smartphone, considerando todo o multitasking permitido. Claro que também não é muito difícil lerdar o sistema, algumas apps tem o dom de fazer isso sem muito esforço. Enquanto isso, o Android 2.2 (Froyo), é aguardado para o próximos meses e promete um sistema 450% mais rápido, quase 5 vezes! Toda essa potência e toda essa tela tem um preço: usando bastante o aparelho, seja leitura, multimídia ou web, pode-se precisar carregar até duas vezes no mesmo dia. Enquanto escrevia esta resenha, a título de ilustração, a bateria do meu Milestone morreu, e olha que carreguei ele hoje mesmo não mais que 7 horas atrás. Pelo menos ele carrega rápido, por vezes em menos de duas horas. Pra gastar menos, diminua o brilho da tela especialmente se estiver lendo à noite, e nesse caso há também o modo noturno que gasta bem menos. O sistema tem um utilitário que mostra quem são os gastadores da bateria: a tela arregaça levando bons três quartos (75%) da energia embora. As conexões Wi-Fi e 3G não gastam tanto assim em comparação, e funcionam muito bem diga-se de passagem. Ou seja, use à vontade (do seu bolso, no caso da 3G).

Software

google android 2 1 motorola droid Motorola Milestone (Droid)

O Milestone roda a última versão do Android, e nem Motorola nem Vivo inventou nenhuma estripulia, e isso deixa o sistema super customizável e acessível. O ecossistema de aplicativos, incluindo o de ebook readers, é hoje pequeno, mas está crescendo num ritmo como não se vê em nenhuma outra plataforma de smartphones, surgindo assim programas cada vez mais elaborados e refinados. Temos hoje, como boas opções para ler ebooks em ePub, Aldiko Book Reader e FBReaderJ. Este último tem o código aberto, então quem entende de programação pode futucar aqui e lá criando algo que se adapte melhor às suas necessidades. Outras opções, mas que ainda não tem um nível legal de maturidade, são Wordoholic, WordPlayer e LaputaII. No caso do Aldiko, tem-se acesso a conteúdo pago, mas nada que se compare ao Kindle para Android, já a caminho. Tudo em inglês, infelizmente. Claro, cabe a você colocar seus próprios ePubs em português no cartão SD do Milestone, e aí sim, todos os aplicativos citados acima vão poder ler, bem ou mal, seus queridos livros. Mas talvez acima de qualquer app venha o navegador web, com a excelente leitura de páginas que ele oferece. Como o Google Books. E tantos outros ebooks que pode-se ler online. Esse browser nativo do Android é a melhor experiência de navegação em smartphones, hoje. Ainda mais com esse tela linda, pinch-zoom e pa pa pá..

Conclusão

Conforto 8 Boa interface de toque e várias opções e botões auxiliam uma leitura confortável. Mas LCD vai sempre cansar a vista.
Visual 7 Fantástica e enorme tela agrada a todos, já o design talvez nem tanto. E a interface não tem o mesmo polimento oferecido pela Apple.
Engenharia 5 Muito bem fabricado, embora o processador já não seja o último da categoria. E com uso intenso a bateria dura pouquíssimo.
Software 6 Temos a promessa do Kindle e um ou dois apps razoáveis, mas o Android ainda precisa amadurecer muito seus aplicativos de ebooks, há muito potencial.

Total: 6,5

veredito eScrito • Faltam opções de leitura na plataforma, especialmente em português e/ou para comprar. Colocar ebooks manualmente é sempre uma opção, mas não oferece comodidade o suficiente para atender à maioria dos usuários. A estrutura tá toda aí: uma tela excepcional, uma pegada muito boa, teclados de sobra pra anotar–tudo isso sem apps que aproveitem ao máximo essas virtudes. Ler textos e ebooks online permanece uma boa escolha, visto que a navegação no Milestone é considerada hoje a melhor possível em um celular. Dito isso, ainda assim as longas seções de leitura sofrerão os incômodos de uma bateria muito curta e a fadiga da tela de LCD. O Droid 2 (aka Nexus Two ) deve vir em hora melhor.

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