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Livros Impressos Agregam Funções de Ebook

O mundo editorial está caminhando para os ebooks, mas há quem não abra mão do livro de papel. E o impresso tem suas vantagens, sem dúvida, mas com as possibilidades de interação que o ebook cria, de agregar conteúdo multimídia como vídeo, áudio e redes sociais, o papel permanecia uma boa, velha e simples experiência de leitura. Até agora. Um sistema chamado Ubimark, criado pelo Dr. Sorin A. Matei da Purdue University, está tornando os livros de papel interativos e transmídia, usando códigos de barra 2D (QR Codes) que podem ser lidos pela câmera da maioria dos celulares de hoje em dia.

Há o aspecto visual de ter códigos pelos cantos das páginas do livro, mas esse é só o começo deste tipo de tecnologia, e mostra muito potencial. Assista abaixo o vídeo com um Jules Verne transmídia (inglês). Read the rest of this entry »

Motorola Milestone (Droid)

0910 motorola droid Motorola Milestone (Droid)

A maior ameaça à hegemonia do iPhone a já pisar na terra, o Motorola Milestone foi lançado no fim de 2009 nos EUA com o nome de Droid, e logo em seguida mundialmente como Milestone, incluindo no Brasil por intermédio da Vivo. Seis meses depois, esse smartphone rodando Android já não é o mais avançado googlephone do mercado, posição ocupada hoje pelo Nexus One, e não acabou com o reinado do celular da Apple, mas foi um dos responsáveis pelo atual boom da plataforma Android e continua o queridinho de muita gente (eu, eu!). Vamos ver porque, e o que ele tem a oferecer no departamento de ebooks.

Conforto

Aqui faz-se frente ao iPhone com propriedade: os dois tem praticamente o mesmo tamanho, mas o Milestone tem uma tela melhor e um teclado QWERTY físico, daqueles que saem com sliding, tudo isso sem comprometer a espessura. Esse tamanho, como os seguidores de Jobs bem sabem, é muito confortável e encaixa-se bem na mão (na maioria delas, ao menos). Assim, o smartphone é um ebook reader fácil de segurar em modo retrato e em paisagem, além de obviamente portátil e prático por já estar sempre com você (a famosa convergência), muito embora ele seja pesado e possa cansar a mão de moças na leitura quando comparado ao iPhone. Ainda assim quase metade do peso de um Kindle, por exemplo (e quatro vezes menos o de um iPad).

O teclado slider não só ajuda em anotações e buscas, como também oferece uma opção muito interessante àqueles que estão sempre trocando seu livro ou ereader de mão e de posição pra não cansar (especialmente quando deitado!), pois com o teclado aberto o Milestone fica não só mais fino–da espessura ideal de um Sony PRS-505, eu diria–como tem mais área para segurar, apoiar. Isso é conforto: ter mais opções; melhor várias formas de segurar e passar a página do que uma só, que os fabricantes consideram perfeita mas que não serve pra você ou cansa depois de um tempo (na cama, então..) Aliás, pra passar de página nos vários apps disponíveis no aparelho você pode clicar no canto da tela; passar o dedo à la Apple com direito a animação e tudo; ou, meu preferido, apertar os botões de volume muito bem posicionados na lateral direita do aparelho: segurando com a mão esquerda o indicador naturalmente descansa lá, e com a mão direita o polegar.

Ainda falando de teclados, o teclado virtual em modo retrato tem as teclas muito estreitas, acarretando desconforto e erros frequentes, um ponto fraco mesmo que não faltem opções alternativas e melhores por meio de apps de terceiros, que integram-se completamente ao sistema. Também o sistema de acentuação clama por uma solução provinda do Android Market, já que deixa muito a desejar–é melhor que no deficiente iPad, mas para fazer um á, por exemplo, deve-se apertar a tecla A por demasiado tempo e o popup (para escolha entre á, à, ã, etc) aparece onde bem entende, tornando o processo lerdo–gostava mesmo da agilidade do tecladinho Blackberriano no meu Palm Treo 650. Acentos à parte, o teclado virtual em modo paisagem (deitado) é fantástico, e embora pareça uma opção redundante ao teclado físico vejo-me frequentemente usando-o por preguiça de abrir o teclado slider, que não tem um sistema automático por mola. A existência de um teclado físico e um virtual é muito bem administrada pelo sistema android: puxar o teclado slider automaticamente inibe o virtual de aparecer e muda para modo paisagem, a não ser que a app de ebooks inteligentemente trave a mudança, possibilitando, como já aludido, segurar o Milestone aberto lendo em modo retrato, uma boa combinação. Abaixo, uma palhinha do aparelho, cortesia do review da Gizmodo Brasil.

 

Os chamados soft buttons, ícones inscritos na tela de toque que tocados provocam um feedback de vibração, agregam interessantes praticidades, como o botão voltar que fecha quaisquer teclados virtuais e parece sempre saber pra onde queremos ir, o botão de busca pra achar frases dentro do livro e o botão menu que faz o óbvio. O último é o home, o único também presente no iPhone. A desvantagem desses botões é que eles são ultra-sensíveis ao toque, e acaba-se esbarrando neles de vez e quando. Sensível é também a tela de toque como um todo, oferecendo uma resposta muito boa, quase impecável como nas touch-screens da Apple. E em se tratando de tela, o LCD obviamente cansa a vista após um tempo, defeito de qualquer gadget que não os ereaders com e-ink. Por outro lado a tela iluminada associada ao tamanho portátil fazem do Milestone uma excelente opção de leitura noturna, especialmente quando baixar o brilho da tela e usar o modo noturno (texto branco em fundo preto) são operações tornadas fáceis na maioria dos programas de leitura. Ou melhor ainda, ser ninado por uma daquelas adoráveis vozes sintéticas com o sistema texto-pra-voz nativo. Na verdade não encontrei boa app de ebooks que aproveitasse esse recurso do Android, mas isso é problema do Android Market que discutiremos três seções abaixo.

Visual

A tela aqui é excepcional. Tem 3.7 polegadas, mas isso é o de menos: arrasa mesmo na resolução, 854×480. O que isso confere é uma quantidade enorme de texto na tela com uma nitidez impecável. E ela tem aquela fluidez gostosa, comparável à do iPhone (que em números tem 3.5″ com 480×320), embora não seja a mesma coisa. Fica Milestone 1×1 iPhone, mas a Apple desempata no design da interface: a maioria dos programas no Android, ebook readers inclusos, não segue um padrão estético alto, um efeito colateral da liberdade dada aos desenvolvedores de software na plataforma da Google. O design do Milestone é único e retrô, estilo retangular. Eu, particularmente, gosto muito, mas não é universal nem da moda, tem gente que torce o nariz.

0910 motorola droid hands on 27 ig Motorola Milestone (Droid)

0910 motorola droid hands on 24 ig Motorola Milestone (Droid)

Engenharia

O aparelho tem um ar de solidez, esbanjando qualidade de fabricação–a Motorola botou seus melhores chineses pra fazer o Milestone. O peso avantajado contribui pra essa sensação (gadget muito levinho nego desconfia logo). E tudo isso por um valor muito bom, considerando toda a tecnologia de ponta e o preço dos concorrentes. A Vivo eleva a coisa para o patamar irrecusável (não?), oferendo-o por R$599 com aquisição de um salgado plano de voz e dados. Ah, vá lá.. vem com uma dock multimídia!

O Android 2.1 roda leve no smartphone, considerando todo o multitasking permitido. Claro que também não é muito difícil lerdar o sistema, algumas apps tem o dom de fazer isso sem muito esforço. Enquanto isso, o Android 2.2 (Froyo), é aguardado para o próximos meses e promete um sistema 450% mais rápido, quase 5 vezes! Toda essa potência e toda essa tela tem um preço: usando bastante o aparelho, seja leitura, multimídia ou web, pode-se precisar carregar até duas vezes no mesmo dia. Enquanto escrevia esta resenha, a título de ilustração, a bateria do meu Milestone morreu, e olha que carreguei ele hoje mesmo não mais que 7 horas atrás. Pelo menos ele carrega rápido, por vezes em menos de duas horas. Pra gastar menos, diminua o brilho da tela especialmente se estiver lendo à noite, e nesse caso há também o modo noturno que gasta bem menos. O sistema tem um utilitário que mostra quem são os gastadores da bateria: a tela arregaça levando bons três quartos (75%) da energia embora. As conexões Wi-Fi e 3G não gastam tanto assim em comparação, e funcionam muito bem diga-se de passagem. Ou seja, use à vontade (do seu bolso, no caso da 3G).

Software

google android 2 1 motorola droid Motorola Milestone (Droid)

O Milestone roda a última versão do Android, e nem Motorola nem Vivo inventou nenhuma estripulia, e isso deixa o sistema super customizável e acessível. O ecossistema de aplicativos, incluindo o de ebook readers, é hoje pequeno, mas está crescendo num ritmo como não se vê em nenhuma outra plataforma de smartphones, surgindo assim programas cada vez mais elaborados e refinados. Temos hoje, como boas opções para ler ebooks em ePub, Aldiko Book Reader e FBReaderJ. Este último tem o código aberto, então quem entende de programação pode futucar aqui e lá criando algo que se adapte melhor às suas necessidades. Outras opções, mas que ainda não tem um nível legal de maturidade, são Wordoholic, WordPlayer e LaputaII. No caso do Aldiko, tem-se acesso a conteúdo pago, mas nada que se compare ao Kindle para Android, já a caminho. Tudo em inglês, infelizmente. Claro, cabe a você colocar seus próprios ePubs em português no cartão SD do Milestone, e aí sim, todos os aplicativos citados acima vão poder ler, bem ou mal, seus queridos livros. Mas talvez acima de qualquer app venha o navegador web, com a excelente leitura de páginas que ele oferece. Como o Google Books. E tantos outros ebooks que pode-se ler online. Esse browser nativo do Android é a melhor experiência de navegação em smartphones, hoje. Ainda mais com esse tela linda, pinch-zoom e pa pa pá..

Conclusão

Conforto 8 Boa interface de toque e várias opções e botões auxiliam uma leitura confortável. Mas LCD vai sempre cansar a vista.
Visual 7 Fantástica e enorme tela agrada a todos, já o design talvez nem tanto. E a interface não tem o mesmo polimento oferecido pela Apple.
Engenharia 5 Muito bem fabricado, embora o processador já não seja o último da categoria. E com uso intenso a bateria dura pouquíssimo.
Software 6 Temos a promessa do Kindle e um ou dois apps razoáveis, mas o Android ainda precisa amadurecer muito seus aplicativos de ebooks, há muito potencial.

Total: 6,5

veredito eScrito • Faltam opções de leitura na plataforma, especialmente em português e/ou para comprar. Colocar ebooks manualmente é sempre uma opção, mas não oferece comodidade o suficiente para atender à maioria dos usuários. A estrutura tá toda aí: uma tela excepcional, uma pegada muito boa, teclados de sobra pra anotar–tudo isso sem apps que aproveitem ao máximo essas virtudes. Ler textos e ebooks online permanece uma boa escolha, visto que a navegação no Milestone é considerada hoje a melhor possível em um celular. Dito isso, ainda assim as longas seções de leitura sofrerão os incômodos de uma bateria muito curta e a fadiga da tela de LCD. O Droid 2 (aka Nexus Two ) deve vir em hora melhor.

Tudo Sobre Os Ebooks!

Ebooks estão ficando cada vez mais atrativos com os novos formatos e gadgets pipocando, e vão chamando mais atenção. Mergulhe no epicentro da revolução com esse guia completo da leitura digital.
(Esta lista será mantida sempre atual.)

A Experiência Do Ebook

Ebook Readers I: Os Cachorros Grandes

Ebook Readers II: Os Pequenos Notáveis

Formatos E Modelos De Negócios Para Ebooks

Eventos Brasileiros Sobre O Ebook

Contribua!

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Sorteio do iPad: Resultado Parcial

Em ordem ascendente (contagem feita às 14:30): Read the rest of this entry »

Ebooks No iPad

Este sorteio acabou em 2010/05/21, assine o blog para saiber do próximo e leia abaixo nossa resenha!

Ebooks No iPad
Taí mais um que chegou abalando as estruturas. A Apple já tem histórico, então dessa vez nem esperou-se anunciar o iPad para prever a queda do modelo editorial atual e o abafamento da ascensão da Amazon. Não é bem assim, o iPad chega fazendo um sucesso estrondoso e superando as expectativas da fabricante, que não tem pra quem quer, mas os ebooks não vão ser revolucionados por intermédio desse gadget. Muita coisa vai mudar, com certeza. A leitura de ebooks estava vivendo até então no mundo simplório e preto-e-branco de ereaders como o Kindle, e fico feliz que agora tenhamos também alternativas mais robustas e coloridas. Mas a coisa só vai se consolidar, e assim atingir o público em massa, quando as funções múltiplas de um iPad convergirem com o conforto de ler num Kindle. E por falar em leitura confortável, vamos à resenha. Read the rest of this entry »

Primeiro Congresso Internacional do Livro Digital, Segundo Dia

Após um primeiro dia calmo, tivemos hoje um enriquecedor ciclo de palestras no Primeiro Congresso Internacional do Livro Digital, e bem tuitado no nosso @escritobrasil. Começamos com Jeff Gomez, presidente da Starlight Runner Entertainment, uma empresa que presta consultoria a grandes marcas na criação de estratégias transmídia, isto é, prover conteúdo através de diversos meios, como livros, filmes, games, websites, quadrinhos, seriados e outras invenções. Entitulada “O Poder da Narrativa Transmídia”, a palestra enfatizou o trabalho principal da indústria do conteúdo: contar estórias, extrapolando os romances, sem medir esforços para cativar o consumidor do conteúdo com todo um universo bem planejado, com diferentes estórias para cada meio (nada de repetir a narrativa do filme no game, disse Gomez, que é um gamer e garante que os jogos produzidos dessa repetição são normalmente péssimos). Jeff ajudou a planejar o universo nos games e livros de filmes como Avatar e Piratas do Caribe, além de diversos da Disney, e até mesmo da Coca-Cola, antes que se pense que o trabalho de Gomez limita-se aos estúdios. Read the rest of this entry »

Primeiro Congresso Internacional do Livro Digital, Primeiro Dia

Começa em menos de 10 minutos o Primeiro Congresso Internacional do Livro Digital, já estou posicionado e equipado no auditório. Vou manter hoje e nos próximos dois dias, 30 e 31, atualizações pelo twitter e também aqui no blog. A abertura fica por conta de Rosely Boschini da Câmara Brasileira do Livro, Hubert Alquéres da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Jurgen Boos da Feira de Frankfurt, a maior feira de livros do mundo.

Vai-se falar de modelos de distribuição, com o know-how de especialistas (e capitalistas) dos EUA, Inglaterra e Espanha. Nesse momento o auditório silencia-se e o mestre de cerimônias toma a palavra.

Zen e a Arte e Tecnologia da Leitura

eScrito é um blog dedicado à tecnologia por trás das atuais reviravoltas e futuras tendências do mercado dos ebooks, mundialmente. Os avanços no campo da e-reading criam todo um mundo de ferramentas de leitura para lazer, negócios e estudo. Um mundo que comporta e merece dedicação exclusiva. Aqui informamos e instruimos sobre essas armas do conhecimento, sejam elas hardware ou software.

E para veicularmos nossas mensagens, temos a análise (ou review) como proposta principal. Análises completas e interessantes de todo o tipo de gadget e programa usado para a leitura de textos digitais (ebooks e documentos), sempre seguindo um padrão de avaliação que permita uma comparação imparcial de diferentes produtos, na medida do possível. Para os aparelhos, por exemplo, sejam eles e-readers, tablets ou celulares, definimos 4 critérios chave que nos guiarão:

  • Conforto • leitura, manuseio, interface de uso (navegação & simplicidade), acessibilidade, portabilidade
  • Visual • fator gráfico (tela & interface), efeitos, estética (design)
  • Engenharia • custo e qualidade, eficiência, conectividade, performance
  • Software • acesso a conteúdo (opções & custo), recursos de apoio

Como suporte, sempre que relevante, oferecemos também guias, comparações e artigos diversos sobre o mundo, arte e tecnologia da leitura digital.